
No longo processo de formação do Estado brasileiro a sociedade sempre se deparou com arbitrariedades criadas pelos dirigentes que levaram o Brasil a ser o que é em todos os aspectos, tanto os bons quantos os maus. Arbitrariedades cometidas também por instituições sociais, como a polícia, matando inocentes com a justificativa de serem bandidos, a falta de atendimento em hospitais e postos médicos, levando à morte inúmeros pais de famílias pagadores de impostos, tribunais que punem rigorosamente um contraventor e libertam um corrupto que, com um desfalque, tira a vida de muitos brasileiros, e outros tantos absurdos que nós brasileiros sempre conhecemos um caso.
O que interessa neste artigo é fazer um alerta a população de Custódia, cidade localizada no sertão pernambucano, sobre as reais necessidades do nosso município, para que pensemos em um modo de diminuir as mazelas sociais que assolam o país e, conseqüentemente, nosso município.
Foi divulgado nos meios de comunicação da cidade a suposta criação de uma passarela sobre a rodovia BR-232, cujo projeto está em análise no Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT). Pergunto aos caros leitores: seria realmente necessário a criação de tamanha estrutura para a nossa cidade? Qual a sua real utilidade? Não seria melhor tentar conseguir obras de mais necessidades para o nosso município?
Apesar da nossa cidade ser cortada pela rodovia BR-232, que leva o desenvolvimento ao interior do estado, o município não comporta uma obra de tal porte pelo simples motivo: o trecho da rodovia que separa o bairro da Redenção do Centro não é extenso o suficiente que não possa ser atravessado pelos transeuntes. Exige-se, claro, cuidado ao atravessar este pequeno trecho. Se essa obra for aprovada será mais uma prova de dinheiro público, nosso dinheiro, jogado fora. Será mais uma obra não utilizada pela população, já que, como é comprovado nas grandes cidades, os transeuntes preferem arriscar cruzar a rodovia sem utilizar as passarelas, que tem esta finalidade, quem dera no nosso município.
Ao invés de pleitear um desperdício desses, diversas outras obras deveriam ser cobradas dos nossos governantes, tanto no âmbito municipal, estadual e federal. Obras como: uma ampliação do hospital municipal para melhor atender nossa população; renovação da biblioteca municipal, com aquisição de livros novos, para a difusão da cultura entre nossos jovens; criação de postos de saúde da família para os distritos municipais; investimentos para os profissionais de educação, para a melhor formação dos jovens; criação de ambiente próprio para a feira livre, desafogando a desordem no centro da cidade nos dias desse evento; criação de escolas profissionalizantes, com o objetivo de capacitar a mão-de-obra, o que ocasionaria mais desenvolvimento e renda; criação de espaços públicos de lazer para o público em geral, como um cinema de médio porte, entre tantas outras coisas.
Devemos repensar as nossas reais necessidades, o que diminuiria as mazelas sociais, levando-nos a desfrutar de uma vida digna em uma sociedade mais humana e igualitária. Não devemos pensar de modo a trazer benefício para uma única pessoa, a que é a mediadora entre a autoridade política e o projeto, de modo a conseguir status para si. Projetos pensados de modo incorreto geram desperdício de dinheiro público e, o pior, que é a não utilização do objeto pela parte mais interessada: a população.
Na fotografia acima, a criação de uma suposta passarela sobre a rodovia BR-232 na cidade de Custódia-PE.
André D' Cezaris Queiroz

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